sábado, 23 de outubro de 2010


RPB (23/10/2010)
23/10/2010 
É hoje a final do Rap Popular Brasileiro (RPB), realizado pela Cufa, reunindo grupos de diversos estados do País. O evento acontece pela primeira vez no Ceará
Um encontro para reunir os novos nomes do rap brasileiro, uma necessidade de renovação do gênero. A grande final do Rap Popular Brasileiro (RPB), realizado pela Central Única das Favelas (Cufa), acontece hoje em Fortaleza, pela primeira vez, no Teatro da Boca Rica. A final da primeira edição, no ano passado, aconteceu no Rio de Janeiro.

Em sua segunda edição, o evento reúne rappers do Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraná, Sergipe, Rio Grande do Sul, Bahia e também Ceará.

Abuh, nome artístico de Maike Christian; os grupos Código 7; Kbssa; Somos 1; Consciência Tranquila; Manifestart; Inteligência Verbal; Intelektus; Guerreiros de Mente Aberta e Ordem 3.8.7. "Daqui vem o grupo Descendência Negra de Raiz, de Sobral. É importante porque tem a ver com a proposta do RPB de ver o rap incorporando elementos culturais locais", explica Preto Zezé, coordenador geral da Cufa Ceará. "O evento surgiu da necessidade de estimular e revelar novas produções, que saiam da reprodução americana e de temas recorrentes. Queremos novas roupagens, novas leituras", detalha.

Seleção
As etapas, antes da final, aconteceram dentro de cada estado, geralmente em duas etapas, dependendo da quantidade de grupos envolvidos. "Um corpo de jurados, em média cinco, avaliam as apresentações com relação à letra, performance e a música". Os critérios, aliás, também serão os mesmos adotados hoje. O melhor grupo será contemplado com um prêmio em dinheiro.

Segundo Preto Zezé, um dos principais problemas encontradas pelos rappers hoje é a dificuldade de se estabelecer no mercado por conta do conteúdo crítico das músicas. "Ainda mais aqui, onde o forró domina. O rap tem de dialogar com as questões locais, não ficar, por exemplo, reproduzindo até as gírias de São Paulo", critica.

Entre as preocupações de Zezé, a coerência com o objetivo do festival é evidente. "O RPB é um momento de reflexão, expressão, entretenimento e voz da favela. O rap tem uma cultura forte de impacto social". E comemora o apoio que vem tanto da iniciativa pública quanto da privada.

Agora, a expectativa do coordenador é de que compareçam hoje ao evento gente mais nova do rap local. "Que isso abra a discussão pra qualificação e de se pensar qual a utilidade do rap cearense".

Intercâmbio
É a primeira vez que o grupo Inteligência Verbal participa do RPB. "A felicidade de poder fazer um intercâmbio e contatos com gente de outros estados. A música é um método de ampliar conhecimento, mudar de opiniões. Temos certeza de que vamos absorver muita coisa", explica Ivan Marinheiro, que forma uma dupla com Klaytinho, na apresentação de hoje.

"Somos de uma região onde a cultura sertaneja é muito forte. O rap tem espaço, mas não tem respeito. As pessoas não enxergam a sociabilidade que o rap pode trazer", afirma.

Mais InformaçõesRap Popular Brasileiro - Hoje, às 16 horas, no Teatro da Boca Rica (Rua Dragão do Mar, 250). Contato: (85) 8812.5792

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