Dez, vinte, dezenas de apartamentos desocupados. Edifícios inteiros vazios ou cheios de um silêncio que incomoda, entristece e traz de volta as lembranças de um tempo em que tudo era bem diferente na Muribeca. “As lembranças são muitos boas, tive meus filhos na Muribeca. Por mim não sairia deste bairro nunca”, conta a cabeleireira Magaly Dantas.

A partir deste sábado (26), a Central Única das Favelas (Cufa) vai ocupar os espaços vazios do bairro, onde se perde tanta gente boa para a violência, para as drogas e outros caminhos que passam a ser trilhados por quem não tem opção. “Vamos montar uma gama de atividades com objetivo de formar e informar a sociedade sobre seus direito. Queremos formar cidadãos”, afirmou o coordenador da Cufa, Fábio Gomes (foto 2).


A iniciativa da Cufa tenta modificar a vida de quem continuou na Muribeca e se arranjou como pôde. Sem tantos moradores, achar um espaço público voltado para os que ficaram é coisa rara. Se for para a prática de esportes então, nem se fala. Por enquanto, crianças e jovens só contam com uma quadra na associação dos moradores cujo acesso quase sumiu no meio de tanto mato, que insiste em crescer onde só deviam ficar a bola e os atletas.
Para o futebol, nenhuma trave, para o vôlei, nenhuma rede e para o basquete só uma tabela, comprada no esquema do rateio. “A gente se reuniu, cada um deu uma parte do dinheiro e colocamos”, falou um dos frequentadores do local. Há também as piscinas, que nunca chegaram a ser usadas. Mas, agora, esse jogo pode virar a favor da comunidade.

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